A minha saga como colunista social - cap. 05

Social

O nosso amigo CARLOS VACCARI (foto comigo) se foi, mas deixou a sua marca como uma das pessoas mais requintadas na high capixaba. Era um colunista social que entendia das coisas, falava com autoridade sobre elegância e sofisticação. Era o mundo que ele se entregava; bem diferente dos demais, que só conheciam rótulos de whisky e de bajulação. Na verdade, CARLINHOS estava além do tempo, principalmente quando o assunto era FUNERAL.
Temos algumas passagens que comprovam isso: quando o presidente TANCREDO NEVES morreu, ele era o chefe do Cerimonial do Palácio Anchieta. Não perdeu tempo e criou um cenário no Palácio, com direito a caixão e coroas de flores. A imprensa caiu de pau. Depois, quando o industrial AMÉRICO BUAIZ morreu, ele fez todo o cerimonial a convite de NEIVA, a viúva. Ligou imediatamente para o DJ ALESSANDRO DE PRÁ e disse: “DE PRÁ, se vira que preciso que vá ao Cemitério de Santo Antônio e coloque umas caixas de som, com músicas fúnebres!”  E assim foi feito.
Mas, foi quando a sua senhora mãe, D. EUNICE VACCARI, morreu, que ele deu tudo de si: na época, eu trabalhava como estilista e quando ela já estava desenganada, CARLINHOS se apressou e nos entregou uma peça de renda francesa, em tons de cinza e rosa seco, para fazer o modelo de despedida da Terra. E com um detalhe: quis sapatos forrados com o mesmo tecido. No velório, um piano tocava músicas clássicas e o caixão teve tapetes persas embaixo do aparador. Na missa de sétimo dia, a cantora NATÉRCIA LOPES cantou e, na saída, os amigos que foram ganharam doces agradecendo a presença. Para a época, algo surreal, mas que já existia nas grandes metrópoles do mundo. Assim era o nosso amigo e querido CARLOS VACCARI. Aquele que lembro sempre do seu jargão: “Sem aquela, tá!” Foto do acervo de Fábio Pirajá

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