Histórias da high capixaba XIII

Social

Todo mundo que faz parte do movimento social capixaba sempre soube da “guerrinha fria” que existia entre os colunistas sociais. Isso, na época em que existia “colunismo social”, embora alguns ainda se comportem como tal.
Mas, na década de 80, eu era apenas mais um entre as FERAS que se matavam para declarar qual tinha o maior prestígio. Tudo era ainda muito estranho para mim, mas, como bom observador, me preparava para me conscientizar que um dia poderia ser atacado. Naquela época, tinha apenas três anos e meio de trabalho e não era considerado ameaça para nenhum deles.
Eu assinava uma coluna de meia página no JORNAL DA CIDADE, que tinha como dona a temida MARIA NILCE MAGALHÃES. Do outro lado, o colunista que respondia pela coluna do jornal A GAZETA se achava o “dono do mundo” porque era o de maior circulação. E este comandava, nos bastidores, uma sórdida campanha contra ela porque crescia e se tornava uma ameaça ao seu status, cada dia mais, mesmo num pequeno jornal.
Foi no lançamento do seu livro “EU, MARIA NILCE” que o circo pegou fogo. O evento seria no Restaurante FERRINHO. O moço então resolveu fazer no mesmo dia, no mesmo horário, um evento no Hotel Porto do Sol, em Guarapari, tentando carregar os nomes mais expressivos da sociedade para não dar expressão ao evento daquela que, naquela fase, era a sua principal rival. Maria Nilce não se rendia fácil, mas tremia nas bases na intimidade e, óbvio, chorava escrevendo sua coluna; que era datilografada por mim e assisti isso algumas vezes.
Chegou o dia, o restaurante FERRINHO lotou literalmente. Era gente saindo pelo ladrão. Mas, em determinado momento, já relaxada da tensão, Maria sofreu uma queda de pressão com ligeiro desmaio. Foi socorrida e voltou para autografar seus livros. Ali, ela colhia a sua primeira vitória declarada contra o outro colunista - que passou toda a vida buscando ser reconhecido como primeiro e único no colunismo social do ES.
Quanto ao evento em Guarapari, deu tão poucos casais que sequer mereceu reportagem em sua coluna. Mas, ele também teria alegado que a festa era apenas para poucos amigos e todos tinham comparecido. A resposta dela: “Me engana que eu gosto!”

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